12.9.08

Abre a boca

Da boca das pessoas sai a fumaça que me faz tanto mal. A fumaça que pelas ventas adentra na minha cabeça, e lá faz sua festa demoníaca, com direito a sacrifício humano e tudo mais. Bacanais no meu cérebro, e eu estático, feito dois de paus. Caminhando pela calçada mal iluminada de uma grande avenida, eu sinto o cheiro da fritura. Cérebros fritando, almas sendo vendidas a preço de banana. Hoje eu acordei com uma predisposição insana a ser um filhodaputa. Poderia chutar a barriga de uma grávida, se eu soubesse que isso me faria sentir vivo.

Hoje as fontes das praças têm uma beleza a mais: cospem sangue na cara dos felizes passantes.
Hoje coisas inacreditáveis tendem a acontecer. Hoje é sexta, e a vida se extingue um pouco mais, agora que as belas coisas do mundo soterraram de barro e cinzas a podridão. Eu não sou mais uma patologia incurável. Acordo cedo, pra correr contra o tempo que enche de areia meus olhos.

Na primeira esquina, vi um rapaz morrendo. Foi baleado duas vezes. Agonizou. Ninguém fez nada. Eu bem que tentei, mas não deixaram eu pegar seu relógio para mim. E a velha do outro lado da rua fuma seu baseado, achando que os prédios irão ficar para sempre de pé... um dia ela se fode, eu vou gargalhar, tal como fez Deus, no sétimo dia.