29.12.08

Merdamorfose























Já comentei uma vez sobre fazer de um FLOG mais Foto e menos Log. E nessa epifânica inspiração mediúnica, fiz essa cagada.
Um pouco daquilo tudo que eu acho importante.
Um muito de tudo que faz parte de mim.
Um tanto de tudo quanto, imortal enquanto dure.

















Querido diário, desde Julho estou trabalhando.
Não tenho carteira assinada, nem todos os direitos que Getúlio Vargas imperou. Durante os últimos meses peguei cerca de 5 ônibus para me locomover entre minha casa, um curso que eu fiz, o trabalho, e a minha casa. Ganhei dinheiro o suficiente pra saber o estrago que ele faz na vida de um cretino como eu. Parei de fumar 6 vezes. Na sétima me mantenho, limpo feito janela de hospital, que vez ou outra encontra um pouco de merda de pombo. Agora de férias derreto na cadeira em frente ao computador, e anseio pela refrigeração do inverno avassalador que nos permite bater o queixo na parada de ônibus. Não bebo mais como eu bebia, quase não vejo meus antigos amigos - senão por encontros altamente casuais enquanto cada um vive sua vida -, mantenho o namoro de mais de 2 anos, e estou de férias.
Voltei a escrever em você, querido diário, porque nesse ócio em que me encontro, você parece me entender, e sacar as mazelas pelas quais eu passo sem uma atividade que me ocupe durante as horas em que passo acordado. E hoje aqui, me deparo com um Eraldo bizarro. Que anda para trás, dorme de tênis e caminha de pantufas. Um Eraldo bizarro que compra tênis com três listras, e almoça em lugares cuja a pronúncia é difícil, aqui no terceiro mundo. Tenho medo da morte, mas a crise financeira não faz nem cécegas no meu rabo. Vomito ao ver o que se tornou a programação da TV aberta.
Diário, estou viciado em seriados, mais do que nunca. Lost, Heroes, Prison Break, House, Dexter... vejo um filme por dia, às vezes mais. Não tenho um futuro garantido. Mas sei que quero um apartamento para dividir com a moça cujo nome está encravado em um anel de prata no meu dedo. Sei que minha vida toma rumos que nem sonhei quando escrevia versos nas paredes do meu quarto, ou quando escrevia tatuagens na minha mão. Hoje não trago mais uma letra alfabética no punho, trago estrelas sobrepostas, que assim como são, tapam buracos da minha estória, e vedam com fita isolante, fatos que não me orgulham mais.
Querido diário, hoje tenho dores nas pernas e vou dormir, sabendo que uma nova lei vigora; amanhã será uma nova aurora.