25.6.08

A dança das sensações

Parece tão bobo não pensar nas mentiras que ouvimos, nas verdades que gostamos. É mais fácil acreditar em uma mentira agradável, complicado mesmo é levar fé em uma verdade inconveniente. Dar a cara a tapa, sem buscar revidar com pedras e paus. Difícil é correr o risco de ser feliz, caindo de braços abertos nas navalhas do ventilador da marca consciência. Potência turbo. Você cai uma vez.

De olhos fechados você percebe que ainda pode descer, e cada vez mais busca o fim do poço... o fim dos dias. Cada dia mais perto do escuro, luzes não são buscadas no final do túnel, nem luzes, nem velas. Talvez uma coroa de flores fique bem no seu funeral. Quando os vermes comerem seu paletó negro, você vai se dar conta da segunda queda, que dói mais por dentro, porque você não sente o frio nos pés há pelo menos seis andares. Você vai pela segunda vez.

Uma vez mais rumo à conclusão. Ao fim.

A boca selada. As cicatrizes expostas. As feridas abertas. O ânimo enterrado. Nada pode dar mais errado quando você está comendo grama pela raiz. Nada pode ser pior. Tudo está em um estágio deteriorado, fúnebre, coalizado. Doces deletérios te forçam a mente. Você precisa encarar que ainda pode piorar. Nada está tão ruim que não possa ser piorado. No sétimo dia, ele gargalhou. Na sua cara... você cai um pouco mais, aos poucos. Um tanto mais. A gravidade ajuda. Você estoura os dentes e arrebenta os pontos no chão frio e cinza. O cheiro de fumaça toma conta do ar, respirar não é mais necessário, seus pulmões estão podres. Mas ainda assim, é difícil conviver com a situação. Você não é mais do que carne podre. Você é o que você come. Você é o que você veste. Você é o que você tem na sua carteira. E você cai um pouco mais, porque quando se vende tanto assim, sempre se pode sucumbir um tanto mais. Se pode, e se vai.

Tão rápido quanto um tiro, você dispara contra sua cabeça as mentiras mais espertas. Que enganam as verdades que você cria. E tudo funciona quando uma coisa ignora outra. Quando as coisas perdem o sentido pra você... quando você escreve, escreve, mas nada sai como devia. Quando você quer falar na terceira pessoa, mas tudo acaba saindo na primeira. Eu, tal qual convivo comigo mesmo, aviso que isso tudo é mentira. E essa é a verdade na qual acredito, queira você ou não, caro Sr. Irvin.












Atenciosamente, Eraldo Sétimo.