10.9.09

Wonka's


Fui premiado. E há três anos tenho uma constante felicidade permanente.
Há três anos a festa tem um nome, e há três anos o nome está comigo.
Rita.

Não tenho muito o que falar (na verdade até tenho, mas tomei muito café, então vai parecer que estou bêbado), mas eu sei que essa é a vida que eu quero, como quero e quando eu quero. Sei que é assim que vou viver, sei que é assim que vai ser bom. Sei que a mais linda, mais inteligente, mais divertida e a mais especial.

Meu chocolate Wonka premiado.
E esse eu não divido com ninguém.

4.2.09

Escafandro

O quarto era branco quando eu cheguei aqui. As flores eram novas, e seu vaso era transparente. A cama tinha lençóis limpos e travesseiros macios. A TV funcionava perfeitamente, pegava uns duzentos canais, quase não tinha intervalos comerciais. Meus pés pareciam tão alcançáveis, apesar de não poder tocá-los com a ponta dos dedos da mão. As pernas não eram sentidas, mas isso iria passar, os médicos tinham fortes esperanças. Os médicos tinham esperança e as janelas eram limpas. Minha família me visitava uma vez por dia. Quando as flores começaram a ceder à gravidade, eles vinham a cada dois dias. Quando a TV passou a só captar a transmissão VHF, eles vinham uma vez por semana. E assim que meu calcanhar começou a necrosar, eles passaram a vir somente quando a emergência exigia, normalmente após eu ter sofrido alguma convulsão ou algo semelhante.

Quando a ponta dos dedos dos pés passaram a estar a uma distância quase inalcançável, eu comecei a sentir medo. Minha garganta doía sempre que eu acordava, eu não conseguia salivar, dormindo de boca aberta, sempre com medo. Eu passei a ser um móvel indesejado no hospital. Eu não conseguia mexer os braços, e sequer emitir sons. Meu cabelo caía e a minha barba dominava meu rosto; tentava por diversas vezes subir pela maçã do rosto para chegar aos olhos, em vão.

As cortinas não eram trocadas, e eu passei a ver nelas pinturas formadas pelas manchas de mofo. Via no topo um velho segurando um cajado, com um cachimbo na boca; meio caído pro lado, soltando uma nuvem de fumaça.
Abaixo tinha uma pantera caolha, que lambia as presas. Uma pantera caolha sem rabo.
Na ponta mais próxima de mim tinha um duende, desses de desenhos animados, com nariz e orelhas pontudas. Um gorro no topo da cabeça, e quatro dedos em cada mão.

Meus companheiros durante as semanas que eu passei ainda lúcido.
Em seguida, vieram os vultos, os fantasmas, as sombras. Então eu não aguentei.
Minha traquéia expelia pus e sangue. Em dois dias eu estava morto, com serragem dentro do meu intestino. Nunca fui tão feliz.

29.12.08

Merdamorfose























Já comentei uma vez sobre fazer de um FLOG mais Foto e menos Log. E nessa epifânica inspiração mediúnica, fiz essa cagada.
Um pouco daquilo tudo que eu acho importante.
Um muito de tudo que faz parte de mim.
Um tanto de tudo quanto, imortal enquanto dure.

















Querido diário, desde Julho estou trabalhando.
Não tenho carteira assinada, nem todos os direitos que Getúlio Vargas imperou. Durante os últimos meses peguei cerca de 5 ônibus para me locomover entre minha casa, um curso que eu fiz, o trabalho, e a minha casa. Ganhei dinheiro o suficiente pra saber o estrago que ele faz na vida de um cretino como eu. Parei de fumar 6 vezes. Na sétima me mantenho, limpo feito janela de hospital, que vez ou outra encontra um pouco de merda de pombo. Agora de férias derreto na cadeira em frente ao computador, e anseio pela refrigeração do inverno avassalador que nos permite bater o queixo na parada de ônibus. Não bebo mais como eu bebia, quase não vejo meus antigos amigos - senão por encontros altamente casuais enquanto cada um vive sua vida -, mantenho o namoro de mais de 2 anos, e estou de férias.
Voltei a escrever em você, querido diário, porque nesse ócio em que me encontro, você parece me entender, e sacar as mazelas pelas quais eu passo sem uma atividade que me ocupe durante as horas em que passo acordado. E hoje aqui, me deparo com um Eraldo bizarro. Que anda para trás, dorme de tênis e caminha de pantufas. Um Eraldo bizarro que compra tênis com três listras, e almoça em lugares cuja a pronúncia é difícil, aqui no terceiro mundo. Tenho medo da morte, mas a crise financeira não faz nem cécegas no meu rabo. Vomito ao ver o que se tornou a programação da TV aberta.
Diário, estou viciado em seriados, mais do que nunca. Lost, Heroes, Prison Break, House, Dexter... vejo um filme por dia, às vezes mais. Não tenho um futuro garantido. Mas sei que quero um apartamento para dividir com a moça cujo nome está encravado em um anel de prata no meu dedo. Sei que minha vida toma rumos que nem sonhei quando escrevia versos nas paredes do meu quarto, ou quando escrevia tatuagens na minha mão. Hoje não trago mais uma letra alfabética no punho, trago estrelas sobrepostas, que assim como são, tapam buracos da minha estória, e vedam com fita isolante, fatos que não me orgulham mais.
Querido diário, hoje tenho dores nas pernas e vou dormir, sabendo que uma nova lei vigora; amanhã será uma nova aurora.

24.9.08

E às vezes...

A coisa dá certo!


























Me desculpe, Blog, nas próximas semanas estarei ocupado lendo.

12.9.08

Abre a boca

Da boca das pessoas sai a fumaça que me faz tanto mal. A fumaça que pelas ventas adentra na minha cabeça, e lá faz sua festa demoníaca, com direito a sacrifício humano e tudo mais. Bacanais no meu cérebro, e eu estático, feito dois de paus. Caminhando pela calçada mal iluminada de uma grande avenida, eu sinto o cheiro da fritura. Cérebros fritando, almas sendo vendidas a preço de banana. Hoje eu acordei com uma predisposição insana a ser um filhodaputa. Poderia chutar a barriga de uma grávida, se eu soubesse que isso me faria sentir vivo.

Hoje as fontes das praças têm uma beleza a mais: cospem sangue na cara dos felizes passantes.
Hoje coisas inacreditáveis tendem a acontecer. Hoje é sexta, e a vida se extingue um pouco mais, agora que as belas coisas do mundo soterraram de barro e cinzas a podridão. Eu não sou mais uma patologia incurável. Acordo cedo, pra correr contra o tempo que enche de areia meus olhos.

Na primeira esquina, vi um rapaz morrendo. Foi baleado duas vezes. Agonizou. Ninguém fez nada. Eu bem que tentei, mas não deixaram eu pegar seu relógio para mim. E a velha do outro lado da rua fuma seu baseado, achando que os prédios irão ficar para sempre de pé... um dia ela se fode, eu vou gargalhar, tal como fez Deus, no sétimo dia.

11.9.08

Concurso Cultural "Discípulos do Dr. House"

A internet é uma coisa bela, maravilhosa, e indecentemente atraente. O pessoal do Dude News tá fazendo uma promoção. E parece que nem precisa recortar 316 códgios de barras de produtos Nestlé e enviar por carta para SP. Segue abaixo o texto que eu copiei de lá, porque fiquei com preguiça de reescrever tudo na terceira pessoa... Torçam por mim!


[CONTEÚDO EXTRAÍDO DAQUI]

Ao longo dos próximos meses, vamos realizar uma série de promoções e concursos culturais com o objetivo de premiar nossos queridos leitores. E o motivo é simples, o Dude News está comemorando o seu primeiro aniversário! Fique de olho no blog e não deixe de participar!

Discípulos do Dr. House

Para nossa primeira promoção escolhemos como tema um dos personagens mais interessantes do mundo das séries, o Dr. Gregory House (interpretado por Hugh Laurie). O cara é mal-humorado, arrogante, narcisista e anti-social, mas apesar disso, é capaz de fazer os diagnósticos mais difíceis, num trabalho investigativo pouco convencional dentro da medicina que conhecemos (principalmente no Brasil).

A proposta do nosso primeiro concurso cultural é tornar os fãs discípulos do Dr. House. Agora é a sua vez de brincar de fazer diagnósticos. A cada semana, vamos liberar dicas, que na verdade são os sintomas de uma doença. Os 4 primeiros leitores que fizerem o diagnóstico correto serão os vencedores e levarão como prêmio um exemplar do livro A CIÊNCIA MÉDICA DE HOUSE - A verdade por trás dos diagnósticos da série (The Medical Science of House M.D.), oferecidos pela Editora BestSeller, que está apoiando esta e outras promoções do Dude News!

Importante: Blogs ou sites que divulgarem esta promoção, até o dia 19 de setembro de 2008, participarão do sorteio de um exemplar do livro. Basta nos enviar um link com a divulgação para dudepromo@gmail.com

13.7.08

Com unicado

Bom, o Eraldo vai ficar um tempo sem postar, porque vai trabalhar a semana toda, apesar das férias. Então na ausência dele, eu posto coisas para vocês.

Pensei em imagens engraçadas, ou vídeos hilários.
Mas pensei bem, e descobri que tem coisas mais interessantes. Acharia uma perda de tempo usar o fim do meu domingo playing games ou assistindo a filmes. Vou escrever. Purifica a alma. E se o Eraldo até hoje não morreu, deve ser por causa disso.

Essa parte eu chamo de Meu ponto de vista. E começa assim que o Eraldo pular...

Sou bom demais para oferecer a outra face

Se eu falo, acabo mentindo. Minto mesmo. Vejo mágica nestas estórias que trazem ao peito, suspiros encantadores. Vejo beleza nas vontades enganatórias que publicamos em nossos sorrisos, a procura de amores, de paixões, de falsos desejos. Queremos ter filhos e mentir para os filhos, queremos que os filhos mintam para os netos, e que os bisnetos morram afogados no lixo que produzimos. Respire fundo, e cuidado para não se afogar nas bitucas do meu cinzeiro, filho...

Tudo pela conveniência. Tudo pelo comodismo de ser obeso. Tudo pela vontade de não levantar-se ao ouvir baterem na porta. Será que a porta não consegue se abrir sozinha?
Um dia eu levanto de vez, começo uma dieta a base de sucrilhos de alumínio e drinques de amianto. Um dia eu elevo meu espírito a tal ponto que baterei com a nuca em nuvens doces de plasma. Um dia o quinto elemento me sairá das veias, reflexo puro da vida que mantive. Respiro fundo, inalo a fumaça preta dos escapamentos, trago meu cigarro e cuspo no meu sapato. Acordo cedo.

Não cedo a impulsos eletromagnéticos. Não caio nos contos da Bíblia. Eu cansei de me atirar de braços e esperar Deus para me segurar. Tentei o barbudo clássico de branco, tentei o gordo careca, tentei a mulher de seis braços com uma pinta na testa, tentei um elefante malucão. Nada funcionou. Percebi que sou bom demais para oferecer a outra face. Percebi que sou bom demais para levar bofetadas. Não vou ser malabarista. Não me arrisco a ser mártir e ao mesmo tempo, sorrir ao morrer. Não invento mais sobrenomes. Agora sou eu mesmo. E mais dois, ou três. Se Fernando era Álvaro, por que eu não posso ser outro?

E Alighieri não me deixa mentir, existem mais coisas entre o céu e o inferno do que a sua vã filosofia pode imaginar.