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7.4.08

Antecedentes (de tudo o que já foi dito)



Nas poesias, nos poemas
De ônibus ou de vagabundos
Eu me perco em tanta baboseira, tanta mentira grosseira
Em tantos mundos
Tantos fonemas

É tudo prelúdio
Tudo perdido, nas verdades ocultas
Em mentalidades absolutas, tudo mentido
É tudo um maldito interlúdio (de um bar de estrada por 33 anos fora do mapa)

Hoje não tem fantasmas do passado
Nem nada mais parecido

O futuro surpreende (os fracos e medrosos)
Mas é aconchegante pensar em coisas mais complexas
Em um nível mais difícil do jogo
Um jogo sem password
Mas a diversão acaba sendo real, no fim das contas

Uma diversão sem precedentes



11.3.08

Coringa






Estou de novo olhando pr'aquele lago. Tipo criança que fica na ponta dos pés pra olhar por cima do balcão no mercadinho da esquina. Fico refletindo, enquanto o olho o reflexo que o lago me apresenta.













[esse é o momento onde a imagem começa a ganhar um contraste furioso e a trilha sonora fica psicodélica. Então cortamos para uma cena de flashback]







De novo aqui, chutando latinhas na sarjeta. Comprando vinho barato e fumando cigarros feitos por crianças deficientes de Trindad & Tobago. Tiro a franja comprida do rosto e olho pro horizonte. Aqui, na cidade grande, o horizonte não passa de uma avenida, ou um prédio grande, ou talvez um muro imenso, que bloqueia os raios solares pela manhã. No horizonte urbano eu vejo rostos conhecidos. E os vendo, desejo ver outros. E sentindo coisas estranhas e bizarras, desejo ver outras.
Uma tragada a mais...

[a câmera dá um mega close no meu olho, e enquanto eu solto a fumaça, a mesma embaça a lente e volta pra cena inicial]





E agora eu já não sei mais o que eu vivi, e o que viveram por mim. Mas nesse lago de reflexo em que me deparo, o fundo é intocável, e a água, negra como petróleo.

[a música de fundo se eleva na parte das cordas, e a tela escurece]
[fim do ATO 1 ]

5.3.08

Como se fosse...

Um eterno deja-vu.
Eu vivo querendo ser
Aquilo que outros já são
Aquilo que outros já criaram
Aquilo a que outros já deram um nome
Aquilo tudo que já foi digerido, e saiu de moda.

Eu sou ultrapassado (por todos ao meu redor)
Obsoleto, insisto em fazer redação no Bloco de Notas
Rabiscar meus desenhos no PaintBrush

Sou um modelo antigo
Usado, abusado, avacalhado.
Sou tudo o que sobrou de estórias pervertidas
De verdades abusivas
Sou a cicatriz do Jack

Rasgo a pele para, em vão, sair daqui
Sem latidos e uivos
Sem sussurros e gritos
Sem mentiras e verdades
Sem distinção

Como se fosse...

Um mundo perfeito.
Mas de um jeito bem sujo...



4.3.08

Começa assim:

Por toda minha vida andei cego, em meio a espinhos
N
aveguei em oceanos tempestuosos sem remos, sem barco
Ouvi mentiras, calado, sorri metodicamente...
Por toda minha vida criei BLOGs, FLOGs, panfletos da minha vida
Por toda minha vida coloquei na vitrine meus sentimentos
Por toda minha vida menti as verdades mais evidentes
Ocultei tudo de bom
Bebi um pouco a mais, e caí de bruços à beira mar







Por toda minha vida atiraram em minhas costas


















E todas as vezes eu
voltei para tomar os tiros.




Esse BLOG não fala de amor, nem de armas
Não disserta sobre drogas, devaneios ou pornografia explícita
Não é um portfólio, nem uma alternativa moderna ao Fotolog
Não é um surto criativo, nem uma idéia momentânea
Esse BLOG é o lixo, o sujo, o fútil, o fraco, o febril.