19.3.08

Sobre elogios, adjetivos e egos

Cara, o ego da gente fica a coisa mais ridícula quando tem alguém apaixonado pela gente.

Ao normal das coisas - tomemos a minha pessoa como exemplo vitalício deste Blog - sout axado de idiota, cretino, crápula, falso, egoísta, malcriado, abusado, indecente, mulambento, feio, repugnante, asqueroso, repulsivo e outras coisas que chegam perto de me preocupar.

Mas algo extremamente mais hard acontece quando rola amor no meio desse furacão de adjetivos. É comum ouvir em uma conversa com a pessoa amada [tomemos como exemplo vitalício neste Blog, a Rita] expressões como "lindo", "querido" e "meu amor". Cara, isso inexiste!

Ninguém passa a ser tão adorável e encantador da noite para o dia. Nem Wacko Jacko pós crise vitiligo. Nem!

E cara, isso não é música do Los Hermanos pra ser poético, meigo e bacana. É uma afronta à lógica naturalista.

Óbvio que eu não descarto os elogios da moça Rita. Óbvio, porque por mais anarco-socio-totalitarista romancista burguês espanhol que seja meu ego, elogios sempre vêm bem a calhar. Principalmente os de cunho intelectualóides. Adoro esses. Me deixam todo babão! O que me faz pensar que a verossimilhança destes, se baseia no meu conceito de necessário. Óbvio, não poderia ser mais simples.

E agora, de fones nos ouvidos, sendo xingado por deus-e-o-mundo, e ausentado das propícias regalias adjetivistas que a Rita me proporciona, eu chego a todas essas conclusões completamente ilegíveis inteligíveis. E assim sendo, me recuso a aceitar os fatos;

Sim, sou um porco chauvinista, que tem seu ego e suas múltiplas personalidades como rebanho. Um camarada que nega benefícios básicos - como sorrisos e abraços - a amigos. Um sujeito que mente descaradamente quando precisa se dar bem. Um guri sapeca, travesso e biruta. Um homem cafajeste, arrogante e petulante.

E se me faltam elogios hoje, foda-se. Vejo um filme, acendo um cigarro amassado e tomo café, soltando a fumaça pelas fuças... mirando sempre no céu, naquela estrela mais brilhante; a mais bonita.


13.3.08

Sonhos na sarjeta

Tem coisas que só sonhos proporcionam.
Coisas inexplicáveis na maioria das vezes, e quase sempre, desejáveis...



Projeções Freudianas, devaneios sexuais, fantasias amorosas, conquistas impossíveis no mundo real. Tem coisas que os sonhos fazem que a gente não consegue fazer na vida real. Os sonhos arriscam...

No sonho você muitas vezes rouba o beijo da moça bonita, sem preocupar-se se terá de vê-la no trabalho pelo resto da semana. No sonho, você dá o soco que seu colega estúpido tanto merece, e toca o foda-se para as consequências. No sonho você manda o patrão à merda e não tá nem aí se rolar uma demissão por justa causa.

É essa a vida que você vive. E a cada segundo passante, ela chega mais perto do fim.

No sonho você não liga se morre, se vive. Mas como morre e como vive.
Não liga se o raio pode cair na sua cabeça enquanto atravessa a ponte de cordas a novecentos metros de altura na corrida para beijar a donzela no fim do caminho.



No sonho as bocas são mais carnudas, a pele mais erótica, os olhares mais convidativos.
No sonho você está disposto a tudo, "só" pelo prazer de ser feliz...
No sonho seu Super ego vai à Jamaica fumar cannabis e você faz a farra, sendo quem sempre quis ser.
No sonho, Tyler Durden bate à porta e te convida pra festa. Jack fica em casa, lavando louça...

Hoje eu tive um sonho, e como Martin Luther, esse sonho me afetou. Mudou alguns pontos de vista. Esse sonho me despertou um lado que eu sempre quis acordar. Esse sonho foi um tapa de luva na cara... na minha cara.

Mas como sempre acontece após os sonhos, você acorda.
E ao acordar, nunca é bom... não importa o que, ou quem esteja lhe esperando à porta.
No sonho você era você mesmo, sem limitações, sem imitações. Sem mentiras, sem meias verdades, sem papas na sua língua. No sonho os beijos são mais intensos e os toques mais sofisticados, e isso faz falta às vezes... Quando você percebe que o sonho é o filme, a poesia, o soneto. A vida é pura, crua, nua. A vida é a raspa do tacho. A vida é o que sobrou da sua fantasia. Enquanto você sonhava, planejava e imaginava, todo o resto continuou rodando, e ao acordar, você é você nessa merda de sua própria criação...

Hoje, só hoje, eu queria ter, de fato, vivido aquele sonho. Com todas suas dúvidas e dilemas. Com toda sua preocupação, assaltos, mortes, músicas. Hoje eu queria ter sentido o gosto da sarjeta. Hoje eu queria ter sido aquilo tudo que eu queria ser. Hoje eu queria ter ardido em febre eternamente, e com os lábios em chamas, proclamado todas as verdades e desejos que eu sempre quis bradar. Hoje.



Mas talvez amanhã eu me lembre do meu sonho.
E provavelmente pra todo sempre eu vou lembrar... e sempre que isso acontecer, eu vou sorrir.
Porque é assim que eu vou me lembrar desse maldito sonho. Com um sorriso... de felicidade, sacanagem, ironia, sarcasmo, falsidade, harmonia.

Hoje, por breves instantes, eu fui eu mesmo. E isso nunca vai mudar.

12.3.08

Conversas

Quando escrevi esse texto que tá aí abaixo, fiquei tão feliz, que o reli diversas vezes.
Senti a sensação que o pintor sente quando pinta uma tela fodida e sabe disso.

Ou seja, ainda que a tela tenha ficado uma merda, ele vai adorar.
E talvez seja assim meu texto; uma merda, que eu adoro...

Uma vez vi uma parada do Fernando Pessoa, quando eu tava me acostumando em ler coisas que não fossem quadrinhos do Frank Miller. Era um dos diálogos do poeta com um personagem/pseudônimo dele:

-Sabe, a chuva me deixa triste
-Estranho, a mim deixa molhado


E achei do balacobaco.
E por ter achado tão foda isso, acabei achando tão foda o que eu escrevi... e vai:


Andei falando com Deus esses dias.
Batendo um papo descolado. Trovando fiado...

Ele me contou que tá perdido. Me disse o velho que não queria que o mundo acabasse assim.
Ele disse que a violência está muito grande, que a injustiça anda muito banal, que o amor está cada vez mais escasso. Ele disse que não era pra ser assim.

-E como era pra ser? - eu perguntei
-Era pra ser bom.
-E tu sabe onde tu errou?
-Acho que sim. Talvez quando falei pro Pedro montar uma igreja
-Ahhh o Pedro. Ele é um safadinho... me lembro do Pedro.
-Pois é, e ainda por cima ele, que era um baita viado, ficou dizendo que sexo era feio, e que só podia foder depois de casado, e ainda ssim, só pra procriar!
-Bahh, que chinelão!
-Sim sim, depois ficou pedindo dinheiro pra montar capelas, depois dinheiro pra fazer a fé valer!
-Que pilantra... e tu não fez nada a respeito?
-Tu? não dá pra me chamar de senhor, não?
-É.. é... que seja...
-Eu não tenho essas barbadas que todo mundo acha que eu tenho. Tipo, eu não posso intervir em NADA! Nem pra previsão do tempo eu posso mexer... desde que eu terceirizei o paraíso, tudo virou um caos! nada mais era como antigamente.
-Como assim?
-Quer ver? quem decide quem vai para o inferno, é o Capeta!
-E antes não era???
-Era não! era eu que fazia tudo! mandava e desmandava...
-Que mais que tem de novo?
-Sabe a redenção dos pecados?
-Não
-Pois é, no meu tempo isso bombava a todo instante!
-Bem que eu estranhei que as coisas boas que eu fazia não adiantavam de nada...
-Pois é, um tal anjo cretino tomou posse da redenção. Agora ser perdoado pelos pecados é mais difícil do que foder cú de gato.
-Caralho!
-Só...
-Mas e quem é bom? vai direto pro paraíso né?
-Mais ou menos... se tu rezou pro santo certo e não fodeu com ninguém (em todos os sentidos da palavra, já que anjos não tem sexo), tu vai pro paraíso. Se tu avacalhar em qualquer coisa, já tá ferrado na lista dos caras...
-Putz... então eu acho que morrer não é mais tão legal não...
-Verdade, larga essa arma aí
-Pode crer

...

-Mas me diz aí
-Digo sim, eu sou Deus mesmo
-Tá legal... tá legal...
-Pergunta!
-Que fim deram as grandes estrelas do Rock? e as personalidades que lutaram por justiça? e os ditadores enforcados, suicidados, aniquilados, decaptados, capados...?
-Ihhh... assim ó, os ditadores vão pro Inferno. As estrelas do Rock vão pro aterro sanitário, e os puritanos lutadores por causas vão pro paraíso.
-Opa! então se eu lutar por causas justas eu vou pro paraíso?
-Tecnicamente? sim.
-E na prática?
-Acho que sim também.
-Opa! Às armas, companheiros!
-Calma, calma... tu já tá fodido.
-Mas hein?!
-É sim, tu já queimou teu filme legal!
-Mas como?
-Porra, tá me zuando? tu é um capeta! Acho que dos Dez Mandamentos tu só não ferrou com o quinto!
-O quinto é aquele do domingo, e da festa, e do guarda?
-Não, o quinto é o de não matar
-Bah, então fudeu tudo... acabei de passar um cara.
-Matou?! pra quê?
-Sei lá, achei o tênis dele maneiro.
-Caiu a casa
-Sóóóó...

...

-Então é isso, faz o que quiser com essa porra de arma.
-Eu acho que eu vou virar mafioso
-Bah, isso é bacana!
-Mesmo!?
-Sim! já te contei que é o novo chefe do céu?
-QUEM? QUEM?!



-Al Capone.

11.3.08

Coringa






Estou de novo olhando pr'aquele lago. Tipo criança que fica na ponta dos pés pra olhar por cima do balcão no mercadinho da esquina. Fico refletindo, enquanto o olho o reflexo que o lago me apresenta.













[esse é o momento onde a imagem começa a ganhar um contraste furioso e a trilha sonora fica psicodélica. Então cortamos para uma cena de flashback]







De novo aqui, chutando latinhas na sarjeta. Comprando vinho barato e fumando cigarros feitos por crianças deficientes de Trindad & Tobago. Tiro a franja comprida do rosto e olho pro horizonte. Aqui, na cidade grande, o horizonte não passa de uma avenida, ou um prédio grande, ou talvez um muro imenso, que bloqueia os raios solares pela manhã. No horizonte urbano eu vejo rostos conhecidos. E os vendo, desejo ver outros. E sentindo coisas estranhas e bizarras, desejo ver outras.
Uma tragada a mais...

[a câmera dá um mega close no meu olho, e enquanto eu solto a fumaça, a mesma embaça a lente e volta pra cena inicial]





E agora eu já não sei mais o que eu vivi, e o que viveram por mim. Mas nesse lago de reflexo em que me deparo, o fundo é intocável, e a água, negra como petróleo.

[a música de fundo se eleva na parte das cordas, e a tela escurece]
[fim do ATO 1 ]

Jogando boliche em Columbine

Cara, tô tipo aquelas celebridades que sempre começam alguma joça social/misantrôpica/filantrôpica e nunca terminam. Tipo que, eles devem comprar uma geladeira para os pobres, depois compram um microondas, e depois compram pratos e talheres.

Daí quando rola uma catástrofe na vida desse(a) artista, eles largam tudo de mão e vão para um spa confirmado. E as crianças sem dente do Camboja vão comer o quê? Areia?

Mas isso se reflete comigo, que nunca consigo terminar coisas da minha vida. Tipo filmes...
Agora comecei a ver Tiros em Columbine (Bowling for Columbine) [o que explica o título do post]. O filme é bom pacas. E acho que traz o diretor que começou a moda que mais deu certo nos últimos anos: documentários forçados. Mostram o que o diretor quer mostrar, e oculta aquilo que não convém (para sociedade, e para o cineasta).

Enfim, vou terminar de ver o documentário e depois profiro minha sabedoria *cof cof*

5.3.08

Como se fosse...

Um eterno deja-vu.
Eu vivo querendo ser
Aquilo que outros já são
Aquilo que outros já criaram
Aquilo a que outros já deram um nome
Aquilo tudo que já foi digerido, e saiu de moda.

Eu sou ultrapassado (por todos ao meu redor)
Obsoleto, insisto em fazer redação no Bloco de Notas
Rabiscar meus desenhos no PaintBrush

Sou um modelo antigo
Usado, abusado, avacalhado.
Sou tudo o que sobrou de estórias pervertidas
De verdades abusivas
Sou a cicatriz do Jack

Rasgo a pele para, em vão, sair daqui
Sem latidos e uivos
Sem sussurros e gritos
Sem mentiras e verdades
Sem distinção

Como se fosse...

Um mundo perfeito.
Mas de um jeito bem sujo...



4.3.08

Começa assim:

Por toda minha vida andei cego, em meio a espinhos
N
aveguei em oceanos tempestuosos sem remos, sem barco
Ouvi mentiras, calado, sorri metodicamente...
Por toda minha vida criei BLOGs, FLOGs, panfletos da minha vida
Por toda minha vida coloquei na vitrine meus sentimentos
Por toda minha vida menti as verdades mais evidentes
Ocultei tudo de bom
Bebi um pouco a mais, e caí de bruços à beira mar







Por toda minha vida atiraram em minhas costas


















E todas as vezes eu
voltei para tomar os tiros.




Esse BLOG não fala de amor, nem de armas
Não disserta sobre drogas, devaneios ou pornografia explícita
Não é um portfólio, nem uma alternativa moderna ao Fotolog
Não é um surto criativo, nem uma idéia momentânea
Esse BLOG é o lixo, o sujo, o fútil, o fraco, o febril.